O padre Walfran Fonseca dos Santos, ex-responsável pela Igreja de Santo Antônio, em Maceió, responde a dois processos judiciais que somam R$ 17 milhões. As ações envolvem a falta de prestação de contas de recursos públicos recebidos por meio de emendas parlamentares e uma indenização paga pela Braskem à paróquia, que ficava localizada no bairro de Bebedouro — área afetada pelo afundamento do solo causado pela mineração da empresa.
Um dos processos foi movido pela Arquidiocese de Maceió, que cobra explicações sobre o uso de R$ 3,1 milhões destinados ao Projeto Recriar, administrado por Walfran. Segundo a Arquidiocese, a nova gestão, iniciada em abril de 2024, identificou inconsistências na aplicação dos recursos e não encontrou documentação da administração anterior. O ex-conselheiro fiscal Ronnie Rayner Teixeira Mota também é citado na ação.
O outro processo é de autoria da própria Paróquia de Santo Antônio e questiona a aplicação de R$ 13,8 milhões recebidos como indenização da Braskem. A verba era vinculada a ações assistenciais da igreja, mas, segundo a paróquia, não houve transparência sobre o destino do dinheiro. Walfran presidia, à época, uma associação beneficente ligada à paróquia e teria deixado de declarar onde aplicou os recursos.
A Arquidiocese informou que adotou providências para resguardar o patrimônio e a missão evangelizadora da Igreja, incluindo a solicitação de auditoria externa, ações judiciais de prestação de contas e reintegração de posse de um imóvel vinculado ao projeto. O padre foi afastado conforme as normas do Direito Canônico, e a instituição reafirmou seu compromisso com a ética, a transparência e o cuidado com os mais vulneráveis, citando novos projetos sociais como sinais dessa nova fase.

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