Quando iniciei minha vida na produção cultural, há 32 anos, acho que nem usávamos essa nomenclatura, pois na época a gente era produtor de eventos, e não havia política cultural e nem tampouco política de editais, implementada, no Brasil, no início do século XXI, no primeiro governo do Presidente Lula, com Gilberto Gil, como Ministro da Cultura, já que antes só tínhamos a Lei Rouanet como o mais próximo de apoio e incentivo à cultura, opção bastante afastada da realidade da maioria dos artistas e produtores culturais de nosso país.
A adoção de uma política de editais exige muita responsabilidade por parte dos gestores, obrigando-os a criar setores em suas estruturas, com este fim e com profissionais capacitados na área, o que infelizmente nem todos os gestores principais e os gestores setoriais se atentaram para isso, mesmo se passando 20 anos, pois infelizmente, a cultura ainda é usada para "encaixar" pessoas sem experiência na folha salarial de um município ou Estado, o que ocasiona uma série de problemas, pois estas pessoas, geralmente estão alheias às discussões nacionais da cultura e desconhecimento da política cultural no Brasil.
Desde o golpe, em 2016, que tirou a Presidente Dilma, e depois com a eleição de um presidente acéfalo e inimigo da cultura que o país passou por um momento de esfacelamento da gestão cultural, apenas interrompido pela eleição para um terceiro mandato de Lula, que indicando Margareth Menezes para Ministra da Cultura, retomou a política séria de desenvolvimento cultural, adotando a implementação da política de editais, além de retomar o reconhecimento da Cultura como área para investimentos, geradora de renda e empregos, além de fundamental para a autoestima e crescimento do país.
Dito isso, vale lembrar que cabe a comunidade cultural se capacitar para responder aos editais, captar recursos, elaborar projetos, pois só da Política Nacional Aldir Blanc, teremos 5 anos, com a adoção de editais, com investimentos de 3 bilhões de reais a cada ano, e é preciso exigir que os órgãos de cultura sejam ocupados por pessoal capacitado, juntamente com seus gestores, pois a época de indicação política meramente, sem análise cirricular, já é coisa do passado, pois se os prefeitos e governantes não se atualizarem quanto a cultura, corre-se o risco de perdermos recursos para a área.

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