terça-feira, 4 de julho de 2023

O que falta para os bois de Maceió chegarem ao ponto de Parintins?




Um dos maiores eventos da cultura popular do Brasil, o Festival Folclórico de Parintins, realizado no Amazonas, vem se notabilizando em promover a cultura popular, sem se descaracterizar, aliando-se a promoção turística e à sustentabilidade. Em 2023, 56º Festival Folclórico de Parintins aconteceu nos dias 30 de junho, 1º e 2 de julho e, além do patrocínio do Governo do Amazonas, contou com patrocínio da Coca-Cola Brasil, em uma parceria longa e consolidada na promoção do evento, que este ano completa 27 anos e anunciou o valor de R$ 2,5 milhões para esta edição.

O nome da festa vem do lugar onde ela acontece – a ilha de Parintins, às margens do rio Amazonas, a 420 quilômetros de Manaus. O festival bebe em uma rivalidade iniciada há quase cem anos, quando dois grandes grupos – os “bois” começaram a representar nas ruas de Parintins o folclore do boi-bumbá, uma variação do bumba-meu-boi do Maranhão, que no Amazonas ganhou características próprias, incorporando as lendas e rituais das etnias indígenas e da cultura popular da Amazônia.

Começou em 1913, quando o Boi Garantido foi fundado por Lindolfo Monteverde. Assim como Boi Caprichoso foi fundado pelos irmãos Roque, Felix e Raimundo Cid, no mesmo ano. O Garantido usa a cor vermelha e o Caprichoso usa a cor azul. Nos primórdios, a disputa era informal e acontecia nas ruas de Parintins.

A festa cresceu tanto que em 1988 o governo do Amazonas construiu o “Bumbódromo”, uma arena de espetáculo que ficou pequena diante da grandiosidade do evento. Atualmente, Parintins recebe entre 16 e 20 navios na temporada de cruzeiros marítimos que aportam no município de outubro e maio. Parintins e sua cultura popular são referência mundial da capacidade criativa da população da Amazônia.


O exemplo 



Em Alagoas também temos os nossos bois, ainda mais coloridos, mas com torcidas tão apaixonadas quanto. O que era antes conhecido apenas como o Boi de carnaval, em Maceió ganhou outras dimensões,  tanto que os grupos de hoje em dia, não admitem ser chamados assim: Boi de Carnaval, tudo porquê os grupos apresentam-se durante o ano todo com uma estrutura bem maior que seu antepassado carnavalesco, principalmente, a partir do início dos anos 90, mais exatamente em 1992, quando incentivados pelo radialista e amante do folguedo, Luiz de Barros, e posteriormente pelo ator e gestor cultural à época,  Marcial Lima, decidiram criar o Festival de Bumba-meu-boi de Maceió,  que no início, as torcidas ficavam com os nervos aflorados, e haviam muitos casos de violência. Marcial e Luiz de Barros, com a sempre importante colaboração do produtor cultural e líder comunitário Zé do Boi, conseguiram pacificar as disputas.

Nesta época surgiu a primeira configuração da Arena para o Festival do Boi, mas só em 2014, durante o mandato de Rui Palmeira,  na Prefeitura de Maceió,  que tinha a frente da pasta da Cultura, Vinicius Palmeira, é que o festival começou a ter uma arena com uma configuração mais próxima das suas necessidades, para os bois e para o público,  no tocante à segurança.

Em 2016, já no Estacionamento de Jaraguá, o layout da Arena se estabeleceu, com uma área de Concentração mais ampla e segura, bem como com uma dispersão à altura das alegorias levadas pelo grupos, além de melhor espaço para os jurados com telões que facilitem o julgamento,  além da visão do público que fica mais atrás da Arena e que pôde assistir o que acontece na frente.

A disputa do Festival do Bumba-Meu-Boi de Maceió é um show, mesmo o primeiro dia sendo dedicado aos grupos da chamada segunda divisão ou os mirins, mas sempre se pode melhorar.

Um dos pontos mais importantes é a não profissionalização do festival, de sua produção, dos próprios grupos e de sua relação com o poder público.

Não há uma captação de recursos privados, pois a Liga que organiza o festival, não se ateve ainda a isso. Ou seja, não há patrocinadores, a não ser a Prefeitura que é quem arma a arena do jeito que mais lhe convém e quem contrata som, iluminação,  banheiros químicos e Bombeiros Civis, e até mesmo a locução e os jurados, demonstrando a dependência da Liga para com o poder público. 



Outro ponto importante é que também não há, de fato, uma captação de recursos profissional para a confecção e produção do Boi em si, pois tudo depende  das ajudas dadas por políticos,  como vereadores e deputados, numa relação nem sempre salutar.

Essa dependência financeira  de políticos faz com que essa manifestação não se desenvolva, pois muitos políticos fazem um rateio de sua verba entre vários grupos, fazendo com que o que chegue aos grupos seja apenas uma contribuição irrisória perto da grandiosidade do evento.

Esperemos que as coisas mudem, que os representantes dos grupos se profissionalizem e cresçam com a sua "brincadeira".




Ah, e sobre o festival de Parintins deste ano, o Caprichoso foi o boi campeão da 56ª edição do Festival Folclórico de Parintins. O resultado saiu no fim da tarde desta segunda (03). A apuração ocorreu durante a tarde desta segunda-feira (3), no Centro Cultural de Parintins, Bumbódromo, palco do embate entre os bumbás. É o 25º título da agremiação, o segundo consecutivo, consagrando-se bicampeão. O touro negro venceu por muito pouco, com uma votação bem apertada: 1.259 pontos, contra 1.258,8 pontos do Garantido.

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