Num ano eleitoral como esse 2022, é normal e esperado que vários temas venham à tona, muitos recorrentes como educação, segurança, saúde e funcionalismo público, por exemplo, fruto não só de suas importâncias para a população mas também porque são áreas articuladas e organizadas através de suas mobilizações de classe e sindicatos.
O que me chamou a atenção nesta eleição foi que apenas um candidato à Presidência, Lula, fez questão de ouvir o meio cultural e seus agentes e produtores com encontros em todos os estados brasileiros. Já na esfera estadual, apenas o candidato Rui Palmeira fez questão de ouvir a Cultura, inclusive, num encontro antes mesmo de seu lançamento oficial ao cargo de Governador, e incluiu esses anseios em seu plano de governo. Os outros candidatos, limitaram-se a frases genéricas como: incentivar a produção/artista local, sem muito aprofundamento. Não é à toa que a gestão de Palmeira revolucionou a produção cultural em Maceió, com ações e planejamento sem iguais na capital e no estado.
Mas o que explica essa abstenção na discussão política na cultura de Alagoas? Ao meu ver vem ainda da imaturidade e informalidade na área. Dificilmente vemos profissionais dedicados inteiramente à produção cultural, salvo os casos de produtores de eventos e shows, mas os artistas e demais profissionais da cultura exercem outras profissões como bancários, funcionários públicos, profissionais da saúde, comerciantes, ou são, o que chamamos de operários da cultura, que dependem de pequenos cachês ou dependem de empresas para terceirizar sua mão-de-obra.
Não temos, pelo menos em Alagoas, uma cena cultural organizada profissionalmente e vai demorar ainda para a termos, haja visto que dependemos de uma política de governo séria para o setor, e esses últimos anos de agressões sofridas pelo desgoverno federal só pioraram a situação, instiguindo políticas culturais e dificultando as leis de fomento.
Esse processo de desenvolvimento profissional só se dá através da implementação e continuidade de políticas culturais permanentes, ano a ano, deixando de ser uma política de governo e se tornando uma política de Estado, e a Lei Aldir Blanc 2 se propõe a iniciar esse processo, pelo menos nos próximo 5 anos.
De qualquer forma, enquanto os agentes culturais não tiverem condições de estabelecerem essas suas atividades culturais como prioritárias, não teremos condições propícias de desenvolvermos profissionalmente a cultura no Brasil.


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