segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Ultrassom começa a ser usado em tratamentos contra o câncer sem necessidade de cirurgia


O som que incomodou um laboratório no início dos anos 2000 pode se transformar em um dos avanços mais promissores da medicina moderna.

Durante seu doutorado na Universidade de Michigan, a engenheira biomédica Zhen Xu descobriu que pulsos ultrarrápidos de ultrassom eram capazes de destruir tecido doente sem cortes, calor ou radiação.
O método, batizado de histotripsia, fragmenta tumores usando microbolhas que se expandem e colapsam em microssegundos, rompendo as células cancerígenas e permitindo que o próprio sistema imunológico elimine os resíduos.


Décadas depois, a tecnologia foi aprovada pelo FDA para tratar câncer de fígado e já mostra resultados: em um estudo recente, o procedimento teve 95% de eficácia na destruição de tumores hepáticos. No Reino Unido, o tratamento foi adotado pelo sistema público de saúde em caráter experimental.

O processo é simples e quase indolor. Guiado por um braço robótico, o transdutor direciona o ultrassom à área exata do tumor — geralmente do tamanho da ponta de uma caneta. O paciente costuma voltar para casa no mesmo dia.

Ainda há limitações. Ossos e órgãos cheios de gás, como os pulmões, bloqueiam as ondas, e os dados sobre recorrência de tumores ainda são escassos. Pesquisadores também investigam se a técnica poderia dispersar células cancerígenas, embora nenhum estudo tenha confirmado esse risco.

Mesmo assim, a histotripsia representa um novo paradigma: eliminar tumores sem bisturi, dor ou internação prolongada.
Outras linhas de pesquisa já exploram o ultrassom combinado à imunoterapia e à quimioterapia, buscando potencializar efeitos com menos toxicidade.

A medicina parece se aproximar de um ponto de virada — em que o som, antes ferramenta de diagnóstico, pode se tornar uma arma precisa contra o câncer.

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