Como nasceu o projeto Giro dos Folguedos?

 

Um dos projetos mais bem sucedidos da produção cultural de Alagoas e da gestão do Prefeito de Maceió, Rui Palmeira, sem dúvida foi o Giro dos Folguedos, criado e executado já na primeira semana de janeiro de 2013, início da gestão, onde grupos de cultura popular se apresentavam em tablados armados, inicialmente, na orla de Maceió. Mas de onde veio essa ideia?

Em 2001, as cidades de Maceió (AL) e Cuenca, no Equador, foram eleitas por um júri internacional como capitais americanas da cultura de 2002. Ambas concorreram com outras oito candidatas.

Para o lançamento da programação, em fevereiro de 2002, foi realizado um grande show, no estacionamento de Jaraguá, com artistas alagoanos, dentre eles Djavan. Afinal de contas Maceió seria a Capital Americana da Cultura (CAC) pela primeira vez.




Nessa época eu trabalhava na Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, na Coordenadoria de Eventos, no Governo Ronaldo Lessa, e na Prefeitura de Maceió, estava a Prefeita Kátia Born. Vinícius Palmeira, ex-Diretor-presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural, entre 2013 e 2020, era o Coordenador Cultural, da CAC, e partiu dele a iniciativa de promover pequenas apresentações em palcos pequenos, no bairro histórico de Jaraguá. Foram 05 ou 06 tablados montados em locais como: Praça Marcílio Dias, Praça Rayol, Beco da Rapariga ... onde grupos de cultura popular se revezaram nos tablados se apresentando, acompanhados, cada um, por produtores. Eu era um deles. 

Mestra Hilda

Mestre Verdelinho


Naquele dia tivemos os grupos de mestres como: Verdelinho, Venâncio, Mestra Hilda, Ovídio, Juvenal, Mestra Flor, Vitória. Tive a honra e prazer de acompanhar o grupo Pagode Comigo Ninguém Pode, de Mestra Hilda. Percorremos os tablados postos no bairro de Jaraguá, caminhando com os grupos, enquanto começava o show no palco no Estacionamento de Jaraguá. Lembro que Jaraguá estava lotado. Os aparelhos celulares não funcionavam, por causa da concentração de gente no local. Bem, de qualquer forma, o evento foi um sucesso.

Em junho de 2012, fui eleito Presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (ASFOPAL) criada pelo saudoso Ranílson França, que reúne os principais grupos e mestres de cultura popular do estado. Aquele ano, teríamos eleições para Prefeito e em julho recebi, de Vinicius Palmeira a informação, que o então candidato Rui Palmeira gostaria de ouvir os desejos do setor cultural, para a formatação, inclusive de seu plano de governo, na época, e já disse que queria muito poder fazer algo pela cultura popular. Rui reuniu-se com a cultura em duas oportunidades e  uma carta compromisso foi formulada e entregue ao candidato, e assinada por ele.

Rui Palmeira venceu as eleições para Prefeito. Após um abaixo-assinado do segmento cultural, indicando o nome de Vinicius Palmeira, em dezembro, ele foi anunciado como o futuro Presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC). Em meados do mês fui, não convidado, mas informado que eu faria parte de sua equipe. Sem opção de resposta.

Antes do natal, Vinicius me telefonou perguntando o que eu achava da ideia de realizarmos uma série de apresentações de grupos de cultura popular na orla de Maceió, já no início do mês de janeiro. Vejam: Rui tomaria posse no dia 01/01 e Vinicius, no dia 02/01, na Associação Comercial e depois num evento no dia 04, em Praça Pública. Ele e o prefeito queriam já mostrar no início da gestão que valorizaríamos a cultura na nova gestão. "O que você acha de realizarmos uma série de apresentações de grupos populares na orla, em pelo menos 05 tablados, em sistema de rodízio, como um ensaio aberto.. sem som, só o tablado? Lembra de quando fizemos na abertura da CAC, em 2002? Mas tem que ser durante o mês de janeiro, já começando no primeiro sábado de janeiro, 06. Você acha que dá para fazer? Articular os grupos e os tablados, lanches etc...? Pensei em 10 grupos, vindo 5 de cada lado, se revezando nos tablados ", perguntou Vinicius a mim. Eu sempre digo que remédio de doido é outro na porta. Prontamente, após um longo segundo de reflexão, eu respondi. "Claro.. vai ser corrido, mas vai ser massa!!"

Uns dias após, Vinicius me liga e pergunta: E o nome desse projeto? Pensei em Giro dos Folguedos ou Folguedos na Praia. O que você acha? Resposta fácil. Nascia ali o Giro dos Folguedos.

No dia 31/12, pela manhã, fomos eu, Vinicius e Vânia Amorim, que seria a Assessora Especial da FMAC, e no inicio de 2020 assumiria a Presidência da FMAC após a saída de Vinicius, percorrendo de carro a orla de Ponta Verde e Pajuçara para vermos os possíveis locais onde instalaríamos os tablados.

No dia 02 de janeiro, após a posse oficial de Vinicius no prédio da Associação Comercial de Maceió, fomos à FMAC e começamos, de fato o trabalho. Na Diretoria de Produção Cultural, além de mim, estavam Eugênio Vilela, produtor cultural e ex-presidente das Ligas de Boi e de Samba, entre outras coisas, e Paulo Henrique, mais conhecido por Paulinho ou Paíque, que já estava na FMAC desde a gestão anterior. Chamamos o responsável pela estrutura licitada, para contratar os tablados e ligamos para os grupos. Não tivemos muito tempo para pensarmos na dinâmica do projeto, mas a ideia principal foi mantida: 10 grupos no total, vindo 05 de um lado (por exemplo, da Ponta Verde) e outros 05 grupos, vindos do outro lado (Pajuçara), se apresentando cada um por 10 minutos em cada tablado. A cada 10 minutos eles desciam do palco, andavam até o próximo palco e se apresentavam. Com isso, todos os grupos se apresentariam em todos os tablados/palcos. Nos 04 sábados de janeiro.


 

 


 


Além disse, tivemos, em paralelo, que produzir a posse de Vinicius na Praça Marcílio Dias, em frente à FMAC, junto à comunidade Cultural. Correria da bexiga!! Mas na Produção não tem mal tempo!!! Botamos para empenar

Voltando ao Giro. Nós contratamos os ônibus e os lanches para os grupos, e cuidamos da logística e sequência da apresentação. Naquele mês, os produtores dos tablados foram outros membros da equipe da FMAC, além de nós mesmos da Produção.

Contratamos grupos de Guerreiro, Pastoril, Maracatu Boi, Coco, Afoxé e banda de pífanos. Não precisava ser folguedo ao pé da letra, mas tinha que ser de cultura popular. Nos organizamos.

No dia 06 de janeiro, estávamos nós três da Produção e mais, Amaurício de Jesus, Filomena Fèlix, Quitéria Gomes, Ednelson, Marcão, todos da FMAC, na praia de Pajuçara  recepcionando os grupos que encheram a orla de cores, sons e brilhos. O bumba meu boi, então, foi um dos mais disputados para fotos. Muita gente, turista ou não, encantada. Os maceioenses se identificaram com os grupos, pois era raro ver tantos grupos ao mesmo tempo na orla. Começamos às 16h, mas desde às 13h estávamos na Produção na rua. As apresentações terminaram às 18:30h... estávamos esgotados fisicamente, mas todos felizes.

Giro dos Folguedos nasceu bem e foram feitas várias edições, não só na orla, mas também nos bairros como Clima Bom, Benedito Bentes, Ponta Grossa, Jacintinho, Pontal da Barra e Centro da cidade. Um dos projetos mais prazerosos de fazermos e de maior impacto para a Cultura Popular até hoje. Graças ao Giro dos Folguedos nasceu o Natal dos Folguedos, na segunda gestão do Prefeito Rui Palmeira, que reúne cerca de 5000 (cinco mil) pessoas na orla de Ponta Verde e Pajuçara, abrindo a programação de verão de Maceió.

Um comentário:

  1. Que legal Keyler! Dá até para visualizar a agitação que foi essa produção toda. Parabéns a você é todos os envolvidos.

    ResponderExcluir