quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Tororó do Rojão - Saudades desse cabra bom!!


Figura irreverente, carismática e profundamente ligada às tradições nordestinas, Tororó do Rojão é muito mais que um forrozeiro: é personagem-marca da cultura popular de Alagoas. Com seu estilo autêntico, figurino marcante e presença de palco contagiante, ele se consolidou como símbolo da alegria, da irreverência e da resistência cultural do povo alagoano.


Tororó do Rojão representa o forró raiz — aquele embalado pela sanfona, pelo triângulo e pela zabumba — mas também incorpora o espírito festivo das ruas, dos arraiais juninos, dos festejos de padroeiro e dos eventos culturais espalhados pelos bairros e municípios do Estado. Sua performance mistura música, humor e teatralidade, dialogando diretamente com o público e criando uma identidade própria que ultrapassa o simples ato de cantar.

Como personagem, Tororó carrega elementos do matuto nordestino, do brincante popular e do contador de causos. Seu nome já revela força e ritmo: “rojão” remete ao estouro da festa, ao anúncio vibrante da celebração. E assim ele se apresenta — como explosão de alegria e tradição.

Mecânico aposentado da Petrobras, mais conhecido e carinhosamente chamado por Tororó do Rojão, sempre foi um homem de personalidade forte, mas com talento e despojamento artístico que lhe destacaram dentre a multidão, tanto que até o “Rei do Baião” rendeu-se a ele, primeiro ao talento do jovem motorista de sua “Rural”, e depois ao músico que tocava triângulo em alguns dos shows de Luiz Gonzaga.

Em um cenário onde muitos artistas lutam por reconhecimento e espaço, Tororó do Rojão mantém viva a chama do forró tradicional, valorizando a cultura regional e reforçando o orgulho de ser nordestino. Sua atuação vai além dos palcos: ele é presença constante em eventos comunitários, projetos culturais e manifestações populares, contribuindo para a manutenção da identidade cultural alagoana.



Manoel Apolinário da Silva, mais conhecido como Tororó do Rojão, foi um dos forrozeiros mais emblemáticos da cena cultural de Alagoas — um artista que, com sua energia vibrante e jeito irreverente, transformou-se em um verdadeiro ícone do forró de raiz. Nascido no povoado de Bateria, em Matriz do Camaragibe, Tororó saiu da vida simples do trabalho rural para ganhar palcos Brasil afora, incorporando no seu estilo musical a mistura de xote, xaxado, samba, coco de roda e outros ritmos regionais, numa manifestação cultural única. 

A presença de Tororó no palco era contagiante: ele não só cantava, mas vivia a música, interagia com o público e carregava a tradição nordestina de festa, dança e celebração nas suas performances. Muitas vezes chamado de “Chaplin do Forró” pela sua teatralidade e expressividade, sua vida e trabalho refletem o espírito do forró como expressão popular e resistência cultural. 

Tororó do Rojão começou sua carreira no programa de Odete Pacheco, na antiga Rádio Difusora, quando situada onde hoje é o prédio do Centro de Belas Artes de Alagoas, na Rua Pedro Monteiro, no centro de Maceió. "Foi nessa época que um camarada começou a me apresentar como Tororó do Rojão e o pessoal começou a me chamar de Tororó… eu não gostei, mas aí pegou e o Lautenay, empresário, me registrou assim. Há pouco (2000), descobri que Tororó é um bairro de Salvador que tem um rio forte que passa por lá”, esclareceu.

Natural do povoado de Bateria, em Matriz do Camaragibe (AL), veio pra Maceió com 10 anos de idade: Quando uma senhora (Dona Nadir Pantaleão) o viu jogando bola, lhe perguntou se não queria vir pra Maceió trabalhar na casa dela. Sua mãe falou com ela e o jovem Manoel veio pra Maceió morar na Rua Barão de Penedo, 298, centro, próximo a Praça Deodoro. Nessa época trabalhava numa casa de família com sua mãe, e ia todas as tardes levar as cadelas da dona da casa para passear na praia da avenida. Por isso recebeu dos coleguinhas de peladas na Praça Deodoro, o apelido de “Mané das Cachorras”, apelido que odiava e era motivo até de brigas.

Tororó cantou por mais de 40 anos. O primeiro compacto gravou no final dos anos 60. Gravou com Osvaldinho (Segura Menino) e Nelson do Acordeom. Depois gravou e lançou o disco Segura Menino, lançado há 30 anos, em 1981, que tem a música título ainda é tocada até hoje nas rádios.

Em 2000 lançou o seu primeiro CD "O Povo Não Quis Acreditar", onde se destacou mais uma de suas músicas de duplo sentido: “Seu Cuca é eu”. Em 2006, lançou seu último registro fonográfico: “Sem Retoques”, CD lançado no Teatro Deodoro. Em 2009, o amigo e produtor de Tororó, Marcos Sal, deu-lhe um presente, que foi relançar o disco “Segura Menino” em CD.

Tororó do Rojão era um artista completo: compunha, cantava, auto-coreografava, além de ser possuidor de um carisma popular, que conquistava a todos por onde passava. Em 1993, durante uma apresentação especial dedicada aos músicos da Orquestra de Câmara de Moscou, ganhou uma denominação dos russos: Chaplin do Forró, devido a sua desenvoltura no palco, pois era um dos maiores forrozeiros autênticos do Brasil. Fazia de seu momento no palco a maior de suas diversões e ao mesmo tempo a maior de suas responsabilidades.

Certa vez, durante um show dele na semana de programação festiva de aniversário do Teatro Deodoro, provavelmente em 2000 ou 2001, Tororó estava se apresentando no palco quando foi informado que o ator Paulo Autran (que iria se apresentar no dia seguinte) estava na plateia. Ele nem sabia quem era, até que disseram que ele era da Globo... Tororó não perdeu tempo e mandou essa: "Eu queria aproveitar e mandar um abraço para o ator da Globo que está aqui... o Paulo... olha seu Paulo diga a Globo que aqui também tem gente talentosa, viu!? Muito boa noite pro senhor!", e finalizou.

Outro momento marcante foi quando o Governo de Alagoas realizou o projeto Alagoas de Corpo e Alma, que promovia as potencialidades do Estado, e desta vez foi no Rio de Janeiro, no ano de 2003. Trabalhei na produção deste evento que levou quase artistas alagoanos para uma série de eventos no Rio, em vários locais, e um deles foi o chamada de Feira de São Cristóvão ou Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, situado na Feira de São Cristóvão, onde levamos diversos artistas para se apresentar nos dois palcos da Feira, que ficavam, cada um, nos extremos da feira. Neste dia, tínhamos alguns artistas se apresentando em um dos palcos, e de repente o público começou a esvaziar... fui ver o que estava acontecendo e logo presenciei uma das cenas mais fantásticas. O povo estava encantado assistindo à apresentação de Tororó do Rojão, que estava deitado no chão com o microfone na mão balançando, os pés enquanto cantava. Ele era o máximo!!

Discografia

Tororó do Rojão deixou um legado musical rico, com quatro discos gravados ao longo de sua carreira — dois LPs em vinil e dois CDs — que capturam a alma do forró mais autêntico e a alegria do povo nordestino: 

LPs (vinil):


Tororó do Rojão e Nelson do Acordeom – Aqui Tem Forró (1979)



Segura Menino (1981) 

CDs:

O Povo Não Quis Acreditar (2004)

Sem Retoque (2007) 

Esses registros trazem músicas que se tornaram parte da memória afetiva do público, repletas de forró, humor, linguagem popular e uma energia que atravessa gerações. 


Uma das fotos que me dá o maior orgulho e saudades. Tirada em 2004 quando gravamos o CD Música Popular Alagoana, com participação do meu compadre Jurandir Bozo, e com as estreladas participações de amigos e ídolos: Verdelinho, Nelson da Rabeca e Tororó do Rojão. Esta foto foi tirada no estúdio do nosso amigo Dácio.


Forró Alagoano

Tororó do Rojão não foi apenas um músico; foi e é símbolo de identidade cultural — um artista que representou Alagoas com autenticidade, resistência e alegria. Sua música segue viva nas festas, nas rodas de sanfona e no coração de quem ama o forró de verdade.

Tororó era uma amigo querido. Quando eu trabalhava na Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, na Diretoria de Eventos, Tororó costumava bater à porta de nossa sala, e eu dizia:"Pode entrar!". Ele abria a porta, olhava pra mim e dizia: "É nada não, Keyle ( sem o R mesmo)... passei aqui só para ver se você está bem". Tororó era assim, na verdade, um amor de pessoa, sempre gentil e atencioso, mas que não pisassem nos calos dele, porque aí o bicho pegava!!!

Tororó do Rojão faleceu na noite do dia 7 de julho de 2011, aos 75 anos. Ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, em Alagoas, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Foi enterrado no final da tarde.

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