O Brasil acaba de registrar um dos marcos mais significativos de sua política cultural e de preservação da memória: mais de 600 obras de arte afro-brasileiras que estavam no exterior retornaram ao país e passam a integrar o acervo do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado no Centro Histórico de Salvador (BA).
Ao todo, são 666 peças produzidas por 135 artistas, reunidas ao longo de décadas na coleção internacional denominada Con/Vida. O conjunto foi doado por suas organizadoras norte-americanas e incorporado oficialmente ao MUNCAB, em um processo considerado o maior já realizado de repatriação de arte afro-brasileira no país.
A coleção reúne obras de grande relevância histórica, estética e simbólica, incluindo pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras, estampas, arte sacra e peças de memória visual. Entre os artistas representados estão nomes importantes da produção afro-brasileira, como Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida e Sol Bahia, entre outros.
Segundo o MUNCAB, a chegada desse acervo fortalece o papel do museu como espaço de preservação, pesquisa, difusão e valorização da cultura negra no Brasil. A partir do mês de março, parte das obras passará a ser exibida ao público, integrando exposições temporárias, ações educativas e programas de formação cultural.
Mais do que um acontecimento artístico, a repatriação das obras representa um reencontro com a memória e a identidade afro-brasileira, além de um avanço no reconhecimento institucional da contribuição da população negra para a história da arte e da cultura nacional.


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