sábado, 31 de janeiro de 2026

Alagoas deve ganhar um fundo de fomento ao artesanato


O Governo de Alagoas deu um passo decisivo para transformar o apoio ao artesanato em uma política de Estado permanente. O governador Paulo Dantas encaminhou ao Legislativo, nesta segunda-feira (26), a criação do Fundo de Fomento ao Artesanato Alagoano (FFAAL). Mas o que muda na prática para os mais de 18 mil artesãos cadastrados no estado?

O que é o FFAAL?

O FFAAL é um fundo especial, com contabilidade própria, gerido pela Secretaria de Estado das Relações Federativas e Internacionais (SERFI). Ele foi desenhado para garantir que o suporte aos artesãos não dependa apenas de ações isoladas, mas tenha um instrumento financeiro contínuo para promover inovação e sustentabilidade no setor.

Principais benefícios para o artesão

O projeto de lei detalha que o fundo será utilizado para financiar frentes que hoje são obstáculos para quem vive da arte:

Matéria-prima e equipamentos: Auxílio na compra de insumos necessários para a produção.

Capacitação: Financiamento de cursos de formação e assessorias técnicas.

Comercialização: Apoio para levar os produtos a feiras, mostras e exposições dentro e fora do Brasil.

Infraestrutura: Melhoria nas condições de escoamento e venda da produção artesanal.

De onde virá o dinheiro?

Diferente de outros fundos, o FFAAL não pesará no orçamento fixo do Estado. Ele será composto por múltiplas fontes, como:

Transferências voluntárias;

Doações de empresas privadas;

Parcerias com organizações da sociedade civil.

Por que foi criado agora?

A criação do fundo ocorre no momento em que o programa Alagoas Feita à Mão completa 10 anos de atuação. “A criação do Fundo representa um avanço histórico, garantindo continuidade, autonomia e previsibilidade orçamentária às ações voltadas aos artesãos”, destacou o governador na justificativa do projeto.

O texto agora aguarda a tramitação nas comissões da Assembleia Legislativa para, se aprovado, ser regulamentado em até 90 dias.


Giovana Chavarria 

Br104.com.br

Geraldo Cardoso - Há quase 40 anos defendendo o forró


Geraldo Cardoso, conhecido nacionalmente como o Matuto de Luxo, é um dos grandes nomes do forró nordestino. Natural de Quebrangulo (AL), terra marcada por forte tradição cultural e musical, Geraldo construiu uma trajetória sólida baseada na valorização do forró autêntico, das raízes sertanejas e da identidade nordestina.

Com uma carreira iniciada ainda jovem, Geraldo Cardoso ganhou projeção por sua voz marcante, presença de palco carismática e letras que dialogam diretamente com o cotidiano do povo nordestino. Suas canções exaltam o amor, a vida simples, o sertão, o romantismo e o orgulho de ser nordestino, sempre embaladas por arranjos que respeitam a essência do forró tradicional, sem abrir mão de uma sonoridade moderna e elegante — marca que justifica o título de Matuto de Luxo.


Ao longo de décadas de estrada, Geraldo Cardoso tornou-se presença constante nos principais palcos, festas juninas, vaquejadas e eventos populares de Alagoas e de todo o Nordeste. Sua obra ultrapassa gerações, conquistando tanto o público que viveu a era de ouro do forró quanto os mais jovens, que encontram em sua música uma ponte entre tradição e contemporaneidade.


Mais do que um cantor, Geraldo Cardoso é um verdadeiro representante da cultura popular nordestina. Seu trabalho contribui de forma significativa para a preservação e difusão do forró como patrimônio cultural, reafirmando Quebrangulo e Alagoas no mapa musical do Brasil. O Matuto de Luxo segue sendo símbolo de resistência cultural, autenticidade e amor à música nordestina.

Ao longo de sua trajetória, Geraldo Cardoso lançou diversos álbuns, singles e gravações que atravessam décadas de música nordestina. Entre os principais trabalhos estão: 

Baião Aceso (1988) — disco que reforça a vocação pelo forró e ritmos tradicionais. 

Matuto de Luxo, Vol. 8 (2005) — parte da série que consolidou sua marca artística. 

Matuto de Luxo, Vol. 9 (2006) — sequência da obra que celebra o forró com excelência. 

Vida Vaqueira (2012) — trabalho inspirado nas tradições da vaquejada e do universo sertanejo.

Forrófrevando – Ao Vivo no Carnaval de Olinda (2025) — álbum ao vivo trazendo a energia dos palcos. 

20 Super Sucessos Geraldo Cardoso (2021) — coletânea dos maiores sucessos de sua carreira. 

Vaquejada Prime Tour 2017 (2019) — registro de shows e performances em eventos de vaquejada. 

Singles recentes como Eu Vou pra Vaquejada (2019), Oficina de Ex (2023) e Maceió Musa do Mar (2025), que mostram sua contínua produção musical.

Além desses trabalhos, Geraldo também tem uma ampla produção de CDs completos e apresentações ao vivo que circulam em plataformas digitais e redes sociais, reforçando sua presença constante no cenário do forró e na memória do público. 

Hoje, o Matuto de Luxo continua sendo uma voz querida e respeitada, representando a alma do forró com paixão e autenticidade — um verdadeiro patrimônio cultural do Nordeste brasileiro.

Guia Ensaio - Há mais de 25 anos cadastrando e divulgando a cultura alagoana

Criado no ano 2000, no Estado de Alagoas, o Guia Ensaio da Cultura Alagoana surgiu em um contexto de carência de registros sistematizados sobre a produção cultural do estado. Até então, artistas, grupos, instituições e agentes culturais encontravam-se dispersos, sem um instrumento que reunisse informações de forma organizada e acessível. O guia nasce, portanto, como uma iniciativa pioneira de mapeamento cultural em Alagoas.


Idealizado pelo Keyler Simões, jornalista e produtor cultural, o Guia Ensaio foi concebido como um serviço público de interesse cultural, voltado à documentação, à divulgação e à articulação da cadeia produtiva da cultura alagoana. Desde sua primeira edição, o projeto assumiu o compromisso de registrar tanto as manifestações tradicionais quanto as linguagens contemporâneas, reconhecendo a cultura como um campo diverso, dinâmico e em permanente transformação.



Ao longo de suas edições, o Guia Ensaio cadastrou categorias como música, artes cênicas, artes visuais, artesanato, artes literárias, grupos folclóricos, museus, instituições culturais, produtores culturais, prestadores de serviços, meios de comunicação, estúdios, espaços para eventos, entre outras. Esse amplo recorte permitiu que o guia se tornasse uma referência para artistas, produtores, pesquisadores, imprensa e gestores públicos.





Com o passar dos anos, o Guia Ensaio ultrapassou a função de simples catálogo e consolidou-se como documento histórico da cultura alagoana, registrando trajetórias, grupos, espaços e iniciativas que marcaram diferentes períodos da vida cultural do estado. Muitas informações preservadas no guia tornaram-se fontes de consulta para projetos, pesquisas acadêmicas, políticas públicas e ações de fomento cultural.

Após mais de duas décadas de existência, o Guia Ensaio da Cultura Alagoana permanece como uma das mais importantes iniciativas independentes de registro e memória cultural em Alagoas, reafirmando o papel da comunicação e da documentação na preservação do patrimônio cultural e na valorização dos seus protagonistas.


Cármen Lúcia Dantas - sinônimo de museologia viva e atuante


Cármen Lúcia Dantas é uma das figuras mais emblemáticas da museologia e da cultura alagoana, reconhecida por sua trajetória dedicada à preservação da memória, identidade e manifestações artísticas populares de Alagoas. Nascida em Penedo, em 27 de setembro de 1945, Cármen construiu uma carreira extensa e diversificada como museóloga, pesquisadora, professora universitária e gestora cultural.



Formou-se em Museologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 1972 e, posteriormente, aprofundou sua formação com especialização em História do Brasil e Mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ao longo de sua carreira acadêmica, lecionou a disciplina História da Arte na Ufal, contribuindo para a formação de gerações de estudantes e para a consolidação do ensino de cultura e patrimônio no estado. 


Na esfera institucional, Cármen Lúcia Dantas foi diretora do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore — um dos mais importantes espaços de preservação da cultura popular em Alagoas — onde desempenhou papel fundamental na restauração, reorganização e abertura do acervo ao público a partir da década de 2000. 

Sua atuação no museu marcou uma fase de fortalecimento da instituição como referência museológica e espaço de mediação cultural, consolidando o legado de Théo Brandão e ampliando o diálogo entre as tradições populares e a sociedade contemporânea. 

Ao longo da carreira, Cármen também contribuiu em outras frentes culturais: participou da formação de museus e memoriais, como o Museu do Paço Imperial e o Memorial Raimundo Marinho em Penedo, foi presidente do Conselho Estadual de Cultura de Alagoas e exerceu funções no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/AL), como Coordenadora Geral, e presidiu a Fundação Teotônio Vilela

Em reconhecimento à sua dedicação à museologia, à educação e à cultura, Cármen Lúcia Dantas recebeu a Medalha do Mérito Museológico concedida pelo Conselho Federal de Museologia (Cofem) — um prêmio que a destaca como uma das profissionais mais influentes no campo museal do Brasil. 

Hoje aposentada como professora da Ufal, ela continua contribuindo para o campo cultural por meio de pesquisa, escrita e participação em debates sobre patrimônio, história e diversidade cultural. Sua trajetória inspira profissionais e amantes da cultura a reconhecerem a importância dos museus como espaços vivos de memória e identidade.

Trio Abanos do Forró - o trio-animação

O Trio Abanos do Forró é um grupo musical dedicado ao forró pé-de-serra, tradição essencial da cultura nordestina que une sanfona, zabumba e triângulo num repertório que celebra as raízes e a alegria do povo do Nordeste. Com mais de uma década de trajetória levando música e animação às comunidades, o trio conquistou espaço no cenário cultural de Alagoas e região, participando de programas de televisão e eventos locais com apresentações marcantes. 


Giseldo (vocal/triângulo), Naldo Apolinário (zabumba) 
e Toninho do Acordeon, 

Reconhecido pelo repertório que mistura clássicos do forró e canções autorais, o Abanos do Forró já se apresentou em programas de mídia, como o AL TV, onde encantou o público ao interpretar composições nordestinas e demonstrar a força do forró tradicional.

Além disso, o trio está presente nas redes sociais, conectando-se com fãs e divulgando seus shows e performances, fortalecendo o laço com o público que aprecia o forró de raiz. Uma das imagens recentes do grupo mostra sua participação animada no Réveillon organizado pela Associação dos Forrozeiros de Alagoas, reforçando sua presença nas festas populares e no calendário cultural regional. 


Participação no web show de Pell Marques



Giseldo animando o bloco Forrozeiros na Folia



Participação em 2025 no Festival Forró Raiz, 
realizado na França 


O Abanos do Forró representa, assim, mais do que um conjunto musical: é um símbolo de tradição viva, que mantém a cultura do forró pé-de-serra pulsando nas festas, encontros e celebrações, levando alegria e autenticidade onde se apresenta.

Chau do Pife - o talento de soprar arte

José Prudente de Almeida, mais conhecido como Chau do Pife, é um músico e intérprete do pífano natural de Boca da Mata, no interior de Alagoas. Seu nome artístico se consolidou a partir da paixão singular pelo instrumento tradicional — o pífano — que começou ainda na infância depois de ganhar o primeiro instrumento do pai para espantar pássaros na plantação da família. Desde então, Chau vive vivendo exclusivamente da música, consolidando-se como uma das vozes mais autênticas da cultura popular alagoana e nordestina. 

Ao longo de mais de quatro décadas de trajetória, Chau do Pife tornou-se um referência no universo dos tocadores de pífano, participando de apresentações em eventos culturais, festivais e rodas de música em toda a região. Seu trabalho mescla tradição e criatividade, sendo reconhecido como patrimônio vivo da cultura musical alagoana, com repertório que celebra ritmos tradicionais e a história do próprio instrumento. 

Além de suas performances ao vivo, Chau é autor de gravações que marcaram a cena regional, como a canção Nas Curvas do Forró, presente em seu álbum Chau no Capricho e outros trabalhos que combinam ritmo, memória e vivência cotidiana. Sua música une elementos do forró, da cultura popular e da tradição do pife, levando ao público uma expressão cultural que é parte essencial da identidade nordestina. 

Como artista, Chau do Pife é mais do que um executante de instrumentos: ele é um guardião da tradição, cuja trajetória inspira novas gerações a valorizar e perpetuar as raízes musicais do Nordeste brasileiro — especialmente no campo dos pifeiros e ritmos populares.

Discografia — Principais Trabalhos

A discografia de Chau do Pife reúne álbuns, CDs e singles que mostram sua evolução artística e a diversidade de seu repertório:

Álbuns e CDs

• Memória dos Pássaros – CD lançado em 2002, inspirado nas experiências que marcaram sua vida e trajetória musical. 

• Ninguém Anda Sozinho – Disco de 2006 que apresenta composições próprias e ritmos tradicionais nordestinos. 

• Chau no Capricho – CD ao vivo lançado em 2008, parte da coleção “Música Popular Alagoana – Volume 3”, com registros ao vivo que capturam a energia de suas performances. 

Singles e Lançamentos Recentes

• Chão do Chau – Single instrumental lançado em 2024. 

• Chão do Chau (Instrumental) – Versão instrumental também de 2024. 

• Não Sei Onde Vou Parar – Single de 2024. 

Além desses, suas músicas aparecem em várias coletâneas e participações, como Transborda em Meu Maracatu e colaborações com outros artistas, ampliando seu alcance para além do ambiente do forró tradicional. 

Legado e Influência

Chau do Pife é considerado um guardião da tradição do pífano, carregando no repertório títulos que fazem parte da memória cultural do Nordeste, combinando o instrumental com histórias de vida e festas populares. Seu trabalho contribui para a preservação e difusão da cultura musical regional, mantendo viva a tradição do pífano nas rodas, festivais e programações culturais por onde passa.

Edital de Boas Práticas nos CEUs das Artes avança para a fase de avaliação com 75 iniciativas habilitadas

Terminou na última sexta-feira (23) o prazo para gestores culturais e coletivos culturais inscreverem projetos no Edital de Boas Práticas para os CEUs das Artes. A iniciativa da Secretaria de Equipamentos Culturais do MinC, busca reconhecer e premiar projetos culturais transformadores em todo o Brasil.

O Ministério da Cultura (MinC) recebeu no total 208 inscrições, demonstrando o engajamento da rede de equipamentos culturais. Do total de propostas submetidas, 75 foram devidamente finalizadas no Mapas da Cultura conforme as regras do edital, e seguem para as próximas fases de seleção, que incluem análise técnica de habilitação (1ª fase) e julgamento de mérito (2ª fase).

O resultado das propostas habilitadas para a 2ª fase será divulgado no dia 23 de fevereiro. Confira o cronograma completo aqui.

O processo de avaliação selecionará 20 iniciativas que se destacam por seu impacto social, cultural e pela capacidade de fortalecer a participação comunitária.

Conheça o edital

Lançado em novembro de 2025 para celebrar os 15 anos dos CEUs das Artes, o edital tem como objetivo principal valorizar ações que promovem a gestão compartilhada e o acesso democrático à cultura. O valor total do prêmio é de R$ 350.000,00.

As 20 melhores práticas serão premiadas, cinco em cada uma das quatro categorias: Formação de Público, Programação Cultural, Parcerias e Inovação, e Gestão Compartilhada. O investimento total da premiação é de R$ 7.500,00 a R$ 27.500,00 por projeto, de acordo com a classificação final.

Os próximos passos incluem a avaliação das 75 propostas finalizadas, a publicação do resultado provisório e o período para recursos. A homologação e o resultado final serão divulgados no portal Mapa da Cultura e no Diário Oficial da União (DOU).

Acesse o edital completo aqui.

MinC

Mestre Besourão - capoeira para todos



Mestre Besourão é um dos grandes nomes da capoeira em Alagoas, reconhecido por sua trajetória marcada pela resistência cultural, pela formação de gerações e pela defesa da capoeira como patrimônio vivo do povo nordestino. Referência de sabedoria, disciplina e ancestralidade, Besourão construiu sua caminhada dentro das rodas, nas comunidades e nos espaços de formação, mantendo viva a essência da capoeira enquanto arte, luta, jogo e expressão de identidade negra.

Ao longo de sua história, Besourão se destacou não apenas pela técnica apurada, mas sobretudo pelo compromisso com os fundamentos tradicionais da capoeira, valorizando o respeito aos mais velhos, a musicalidade, a oralidade e o papel educativo da roda. Seu trabalho ultrapassa o aspecto físico, alcançando dimensões sociais e culturais, onde a capoeira se afirma como instrumento de cidadania, autoestima e inclusão.

Em Alagoas, Mestre Besourão tem papel fundamental na difusão da capoeira como prática cultural e pedagógica, contribuindo para a formação de crianças, jovens e adultos. Seu ensino dialoga com valores como coletividade, disciplina, resistência e consciência histórica, fortalecendo laços comunitários e preservando saberes herdados da diáspora africana.

Mais do que um mestre de capoeira, Besourão é guardião de uma tradição que atravessa o tempo. Sua presença nas rodas representa a continuidade de uma luta ancestral, reafirmando a capoeira como símbolo de liberdade, identidade e memória viva da cultura popular alagoana e brasileira.

Mestre Besourão promove a inclusão social por meio de diversas iniciativas, a exemplo o trabalho com Pessoas com Deficiência pela instituição Pestalozzi e na rede municipal de ensino pelo Projeto Arte Capoeira, em Maceió, no qual é Coordenador, e está presente em 20 escolas municipais contemplando cerca de 2.580 estudantes. O projeto integra capoeira à educação formal, promovendo valores de disciplina, respeito, história e cultura africana, além de estimular o pensamento crítico e a socialização.

Além disso, há registros de eventos, ações e projetos que têm a Capoeira Acessível na Perspectiva de Inclusiva como foco, promovendo a participação de pessoas com diferentes deficiências, ampliando o acesso e o protagonismo cultural de grupos historicamente marginalizados e esquecidos. Essas ações têm impacto na construção da identidade cultural, pertencimento, autonomia, autoestima e integração social dos participantes. 

Assim, as iniciativas de Mestre Besourão combinam ensino, cultura, inclusão social e valorização da diversidade como um caminho para empoderar comunidades e transformar realidades.

Capoeira na melhor idade

As ações de Mestre Besourão na promoção da inclusão social de idosos, envolvem o uso da capoeira como ferramenta para favorecer a socialização, a autoestima e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários entre idosos. Ele participa e promove atividades que incluem práticas físicas, culturais e recreativas que buscam combater o isolamento social dos idosos, oferecendo a eles espaços de convivência, expressão e troca. Esses grupos de capoeiristas idosos realizam encontros regulares, passeios e eventos que incentivam o envelhecimento ativo e participativo, favorecendo a saúde física e mental dos participantes.

Além disso, sua atuação contribui para a valorização da cultura afro-brasileira entre os idosos, promovendo assim o pertencimento social e cultural, o que é fundamental para evitar o isolamento e fortalecer laços sociais em comunidades. Essas práticas estão alinhadas com as políticas públicas de proteção social básica que garantem o convívio e a promoção da inclusão social da pessoa idosa por meio de atividades diversificadas e contínuas.

Ivan Barsand – Do canto coral a guardião da Cultura Popular Alagoana

 

Ivan Barsand de Leucas é um dos mais atuantes dirigentes culturais de Alagoas, atualmente exercendo seu segundo mandato como presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (ASFOPAL), entidade referência na defesa, promoção e preservação das tradições populares do estado. Ele lidera a ASFOPAL com dedicação e visão estratégica, sempre voltado para fortalecer a identidade cultural e garantir o reconhecimento dos folguedos, danças, brincadeiras e saberes que representam o patrimônio imaterial alagoano. 

Com longa trajetória de engajamento na cultura, Barsand também foi Presidente da Federação Alagoana de Coros, onde contribuiu significativamente para a organização e desenvolvimento das práticas corais no estado durante muitos anos. Além disso, ele é dirigente do Coro Embracanto, grupo coral que valoriza repertórios ligados à música regional e à tradição popular — um papel que reforça sua profunda ligação com as expressões artísticas e comunitárias. 

Naturalmente um apaixonado pela música e pelo canto, Ivan começou sua trajetória cultural ainda jovem, integrando grupos corais e aprofundando sua relação com manifestações artísticas coletivas. Ao chegar em Alagoas, há mais de três décadas, ele aproximou-se dos mestres da cultura popular local e tornou-se amigo de personalidades fundamentais, como Ranilson França, referência no estudo e na promoção do folclore alagoano. 

À frente da ASFOPAL, Barsand tem guiado a associação em iniciativas importantes, como a produção e divulgação de guias de manifestações culturais, projetos de difusão nas escolas e a participação em festivais que aproximam as tradições populares do público jovem e da sociedade em geral. Ele acredita que a preservação cultural passa por educação, participação social e visibilidade, e por isso tem buscado parcerias com instituições públicas e privadas para ampliar o alcance das ações da entidade. 

Além de sua atuação institucional, Ivan conduz o programa “Balançando o Ganzá” — espaço tradicional de rádio voltado à cultura popular alagoana — que se tornou referência na difusão dos folguedos, ritmos e saberes tradicionais do estado, conectando gerações e fortalecendo a memória cultural. 

Reconhecido por sua persistência e amor às tradições, Ivan Barsand se destaca como um protagonista na luta pela valorização cultural, trabalhando para que as raízes populares de Alagoas sejam não apenas lembradas, mas vividas, compartilhadas e passadas adiante. Hoje, sua liderança representa o compromisso com a cultura viva, plural e inventiva do povo alagoano. 

Edu Passos - precursor e referência na dança afro em Alagoas


Edu Passos é um nome fundamental na história da dança em Alagoas. Mineiro de nascença, escolheu o estado como lar há mais de 30 anos, período em que construiu uma trajetória marcada pela pesquisa, pela formação de novos talentos e pela valorização das matrizes afro-brasileiras no campo da dança. Sua chegada a Alagoas coincide com um momento de efervescência cultural, no qual Edu rapidamente se destacou pela sensibilidade artística e pelo compromisso com uma dança conectada à identidade, à ancestralidade e ao corpo como instrumento de expressão social e política.



Reconhecido como precursor da dança afro em Alagoas, Edu Passos teve papel decisivo na introdução, difusão e consolidação dessa linguagem no estado. Seu trabalho não se limitou à performance, mas se expandiu para a formação pedagógica, influenciando gerações de bailarinos, professores e artistas que passaram a compreender a dança afro como um campo de saber, resistência e afirmação cultural. Suas aulas e criações sempre dialogaram com ritmos, gestos e narrativas de origem africana, ressignificados no contexto alagoano.

Edu Passos é Professor efetivo de Expressão Corporal e Dança Afro,  no Centro de Belas Artes de Alagoas - CENARTE. Departamento vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de Alagoas, desde os anos 80.



Edu com Lia de Itamaracá

No início dos anos 2000, Edu integrou o elenco do espetáculo “Alagoas Terra da Liberdade”, uma montagem de grande impacto simbólico e artístico, que celebrava a história, a diversidade cultural e a força do povo alagoano. A participação nesse espetáculo reforçou sua presença no cenário das grandes produções culturais do estado, evidenciando sua capacidade de unir técnica, emoção e identidade em cena.

Na sequência, fez parte do projeto “Alagoas de Corpo e Alma”, iniciativa voltada à divulgação das potencialidades culturais, artísticas e turísticas de Alagoas. Nesse contexto, a dança assumiu um papel estratégico como linguagem capaz de traduzir, por meio do corpo, as paisagens, os ritmos, a memória e a riqueza cultural do estado. Edu Passos contribuiu de forma decisiva para que a dança fosse compreendida como um cartão de visitas sensível e potente de Alagoas para o Brasil.

Ao longo de mais de três décadas de atuação, Edu Passos consolidou-se não apenas como dançarino e professor, mas como um verdadeiro agente de transformação cultural. Sua trajetória é marcada pela dedicação à arte, pela formação humana e pelo compromisso com a valorização das raízes afro-brasileiras, deixando um legado vivo que segue pulsando nos palcos, nas salas de aula e nos corpos que aprenderam a dançar a partir de sua inspiração.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Régis de Souza - o talento de um ator plural de Alagoas


Régis de Souza é um ator alagoano com trajetória marcada pelo protagonismo e pela contribuição decisiva ao teatro produzido em Alagoas. Integrante da primeira formação da Cia de Teatro Joana Gajuru, Régis participou de momentos fundamentais da consolidação da cena teatral local, ajudando a construir uma linguagem cênica popular, crítica e profundamente conectada com o público.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está a participação na montagem do sucesso “A Farinhada”, texto do historiador e dramaturgo Luiz Sávio de Almeida. O espetáculo tornou-se referência no teatro alagoano por abordar, com humor e contundência, aspectos da identidade, da memória e das contradições sociais do estado, alcançando grande repercussão junto ao público e à crítica.




Ao lado de sua esposa, Diva Gonçalves, Régis de Souza fundou a Companhia de Teatro Nega Fulô, iniciativa que reafirma seu compromisso com a produção artística independente, a valorização da cultura nordestina e a criação de espetáculos acessíveis, potentes e conectados às vivências populares. A companhia tornou-se espaço de criação, resistência e afirmação cultural.


Outro marco de sua carreira foi a participação no espetáculo “Romeu e Juli…eeita?!?”, montagem que conquistou grande sucesso de público graças à linguagem irreverente e à releitura bem-humorada de um clássico universal. A personagem interpretada por Régis extrapolou os palcos e ganhou destaque também na televisão, alcançando visibilidade na TV Pajuçara, onde conquistou ainda mais o carinho do público alagoano.



Regis também é uma presença marcante nas apresentações da Quadrilha Santa Fé, de Maceió. 

Com uma carreira sólida, popular e respeitada, Régis de Souza representa o ator que une talento, carisma e compromisso cultural. Sua trajetória é parte viva da história do teatro em Alagoas, marcada por personagens memoráveis, companhias fundamentais e uma relação direta e afetuosa com o público.

Governo do Brasil investe R$ 28 milhões para fortalecer o artesanato

O governo federal anunciou, nessa terça-feira (31), um pacote de R$ 28 milhões em medidas para ampliar a formalização e fortalecer o artesan...