Um dos episódios mais violentos e tristes da história do Brasil, numa clara perseguição e um ato de intolerância religiosa, motivada por questões políticas, também, o Quebra de Xangôs de 1912, que nos últimos 13 anos vinha sendo lembrado no evento Xangô Rezado Alto, infelizmente, parece ter sido calado.
O Xangô Rezado Alto relembrava o Quebra de Xangô, um episódio de intolerância religiosa que aconteceu em 02 de fevereiro de 1912, em Maceió, mas se estendeu por várias outras cidades do Estado, e foi marcado por destruição de terreiros e perseguição aos adeptos da religião em Alagoas, numa tentativa de impedir que algo parecido voltasse a acontecer, mas a aparente desarticulação do chamado "povo do Axé ", a falta de interesse e compromisso da atual gestão municipal fizeram com que o evento, este ano fosse "esquecido", como foi por quase 100 anos, até que a Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) criasse o evento Xangô Rezado Alto, justamente para lembrar os 100 anos deste ato de violência e intolerância e dois anos depois, a gestão municipal de Maceió, da época, comprou a ideia ao ponto de ampliar o evento.
Infelizmente parece que o comodismo dos praticantes das religiões afro, fez com que, neste ano de 2025, o evento não fosse realizado, numa verdadeira demonstração de cumplicidade com seus algozes de ontem e de hoje.
Claro que o Xangô Rezado Alto não é só um evento das religiões de matrizes africanas, mas de toda a sociedade que luta por respeito e tolerância frente às adversidades, à diversidade religiosa, política e social, mas o histórico do nosso querido povo de Alagoas, parece que, de novo, veio à tona, ou seja, a acomodação e falta de respeito à sua própria história.
Não falo à toa, não, deste projeto. Pois por 10 anos estive envolvido na produção deste evento, e me identifiquei com sua história, fiz amigos e ajudei a divulgar cada vez mais este triste episódio.
Não há maneira fácil de fazer algo. Ninguém vai relembrar o Quebra de Xangôs, se o próprio povo atingido diretamente por aquela violência não o fizer, pois se não o fizerem pelos que hoje estão em atividade, façamos em respeito aos que sofreram na pele por este crime.


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