sábado, 2 de dezembro de 2023

Hoje, 02/12, é o Dia Nacional do Samba



No começo dos anos 1960, uma época em que a música norte-americana entrava com muita influência no Brasil, pairava no ar um certo receio diante de uma suposta ameaça aos gêneros nacionais. Neste contexto, entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro, foi realizado no Palácio Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, o Congresso Nacional do Samba, que teve participação de nomes como Pixinguinha, Aracy de Almeida e Almirante.

Nesta ocasião, foi redigido um documento batizado de Carta do Samba, que versava sobre a importância do gênero, bem como sobre a necessidade de manter suas características fundamentais. Na página 6 do documento, um aviso: “foi sancionada lei estadual declarando o dia 2 de dezembro Dia do Samba, à base de projeto apresentado, nesse sentido, pelo deputado Frota Aguiar”. O projeto citado, no entanto, acabou vetado pelo governador Carlos Lacerda. Só acabou sendo sancionado em 1964.

Antes disso, em 1963, o vereador soteropolitano Luiz Monteiro da Costa também apresentou um projeto de lei, este na Câmara Municipal de Salvador, que “institui o Dia do Samba, manda preservar as características da música popular e dá outras providências”. Monteiro da Costa mencionava que a proposta era também uma homenagem ao compositor Ary Barroso, que acabara de receber o título de "Cidadão da Cidade de Salvador". O vereador baiano, no entanto, também citava a Carta do Samba redigida no Rio em seu projeto de lei.

“Nas escolas de samba da Guanabara e nos redutos principais do samba, nessa data, o samba será festejado com o repicar de tamborins, com o ‘roncar’ das cuícas e com uma alvorada de 21 batidas no ‘surdo’. O tão esperado Dia do Samba também será comemorado pelas emissoras de rádio que apresentarão programas com gravações de nossa consagrada música popular”, diz trecho do documento histórico.

Com as duas manifestações políticas em torno do gênero, uma no Rio e outra em Salvador, passou-se a se comemorar o Dia do Samba no dia 2 de dezembro. Ao longo do tempo, a homenagem ganhou proporção nacional.

A Lei nº 14.567, de 4 de maio de 2023, reconheceu as escolas de samba  – seus desfiles, sua música, suas práticas, suas tradições – como manifestação da cultura nacional. Instituindo ao poder público a competência de garantir a livre atividade das escolas de samba e a realização de seus desfiles carnavalescos. Anteriormente, a Lei nº 13.557, de 21 de dezembro de 2017 já instituía o Dia Nacional do Samba de Roda, a ser comemorado no dia 25 de novembro de cada ano.

Contudo, o dia 2 de dezembro já figurava há muitos anos, do calendário oficial de datas culturais no Brasil como o Dia do Samba. A sua comemoração, no entanto, era restrita a algumas cidades, em especial o Rio de Janeiro e Salvador.

O Projeto de Lei nº 1.713-A, de 2007, de autoria de Indio da Costa, deputado à época, se propôs a decretar oficialmente em todo o território brasileiro o Dia Nacional do Samba. O autor em seu projeto trazia a seguinte argumentação:

“Por tradição, que os historiadores da nossa música popular não sabem precisar com certeza, o Dia Nacional do Samba já é comemorado oficialmente em bom número das Unidades da Federação na data de 2 de dezembro. Dizem que o Dia do Samba remete a uma visita de Ary Barroso à Bahia, num 2 de dezembro; outros, afirmam que a data se prende ao Trem do Samba, ocupado pela Velha Guarda da Portela na Central do Brasil, e cuja primeira edição ocorreu em 1996...”

“Se o samba nasceu ou não no Brasil, é uma questão acadêmica, hoje reduzida apenas à sua importância musicológica. O fato, incontestável, é que o samba é do Brasil, e o seu Dia Nacional vem sendo comemorado na data de 2 de dezembro...”

Mais à frente, em 2013,  o deputado Marcus Pestana iniciou também um projeto de lei que em seu texto alertava que "inexiste assim qualquer lei de âmbito federal que institua o Dia Nacional do Samba, diferentemente do gênero musical “choro”, objeto da Lei n° 10.000, de 4 de setembro de 2000, resultante do PLS n° 39/99, de autoria do Senador Artur da Távola, que instituiu o dia 23 de abril como o Dia Nacional do Choro. Dessa forma, é oportuno o surgimento de um ato legal que venha a oficializar, em nível nacional, uma data que o mundo do samba já comemora, em todo o país, desde 1963."

O samba pioneiro

Um estilo musical cheio de gingado e melodia que encanta pelas danças e também pela execução que exige harmonia e talento de todos os músicos envolvidos na roda de samba. "Pelo telefone", composição de Donga datada de 1916, é considerado o primeiro samba brasileiro, por substituir o maxixe. Nessa época, já se podiam gravar as músicas em discos.

Na mesma ocasião, surgiram muitos compositores de grande talento, como Pixinguinha, João da Baiana, Sinhô e Heitor dos Prazeres.O samba foi tomando uma expressão urbana e moderna. Começou a ser tocado nas rádios, se espalhou pelos morros cariocas e nos bairros da zona sul, conquistando um público de classe média também.

Mais tarde, em meados do século 20, Dorival Caymmi e João Gilberto deram uma nuance sofisticada para o samba, misturando-o com outras influências musicais.

Variantes do Samba

  1. Samba-enredo - com origem no Rio de Janeiro na década de 30, é um samba que determina o ritmo dos desfiles das escolas de samba e aborda temas sociais e culturais.
  2. Samba-de-partido-alto - é um samba de origem pobre, que tenta demonstrar a realidade de regiões carentes. Seus principais compositores são Moreira da Silva, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila.
  3. Samba-Pagode - um dos ritmos dentro do samba que mais fazem sucesso, surgiu no Rio de Janeiro nos anos 70, com letras românticas e ritmo repetitivo, tem como principais representantes grupos como: Fundo de Quintal, Raça Negra, Só Pra Contrariar, entre outros.
  4. Samba-canção – com origem na década de 20 tem característica ritmo lento e letras românticas.
  5. Samba-carnavalesco – são as famosas marchinhas que embalavam os carnavais antigos e bailes típicos.
  6. Samba-exaltação – esse tipo de samba trazia um saudosismo com letras que mostravam as maravilhas brasileiras, junto com acompanhamento de orquestra.
  7. Samba-de-breque – tipo de samba que tem interrupções para comentários no meio da música, com temáticas críticas ou humorísticas.
  8. Samba de gafieira – com origem nos anos 40, tem ritmo rápido e forte com acompanhamento, muito comum em danças de salão.
  9. Sambalanço ou Samba Rock - Com influência do jazz o surgiu entre as décadas de 50 e 60 e embalou boates em São Paulo e Rio de Janeiro. Tem como principais representantes Jorge Ben Jor, Wilson Simonal e mais recentemente Seu Jorge.
  10. Samba praiano - A Academia de Samba Praiana foi criada em 10 de março de 1960, por um grupo de rapazes, oriundos das cidades de Pelotas, Rio Grande e também Porto Alegre.
  11. Samba-de-morro - é um sub-gênero musical do samba, criado e difundido na década de 1930, na cidade do Rio de Janeiro, por compositores que frequentavam as rodas de samba da Turma do Estácio. De ritmo vivo, o samba de morro é um estilo autenticamente popular, que costuma ser acompanhado por um pandeiro, um tamborim, uma cuíca e um surdo. Suas letras em geral tratam de temas diversos como malandragem, mulheres e o cotidiano nos morros e favelas cariocas.

Personalidades negras do samba

Elza Soares; Pixinguinha; Arlindo Cruz; Zeca Pagodinho; Beth Carvalho; Paulinho Viola; Cartola; Ivone Lara; Martinho da Vila; Leci Brandão;  Jorge Aragão, dentre outros grandes nomes do samba brasileiro.

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