O patamar de pessoas ocupadas no setor cultural recuperou quase totalmente, em 2022, o nível de antes da pandemia. O número de trabalhadores nesta atividade foi de 5,448 milhões no ano passado, apenas 15 mil abaixo dos 5,463 milhões de 2019. Esse grupo representava 5,6% de todos os trabalhadores ocupados no país no ano passado, ante 5,8% em 2019.
Um levantamento recente do IBGE revelou que o setor cultural no Brasil recuperou o patamar de emprego pré-pandemia, registrando 5,448 milhões de trabalhadores em 2022, apenas 15 mil abaixo dos 5,463 milhões de 2019. No entanto, o setor enfrenta desafios, como a perda de espaço na economia em uma década e a redução da fatia dos gastos públicos destinados à cultura.
A pesquisa Sistema de Informações e Indicadores Culturais destacou que 30,6% dos trabalhadores no setor cultural possuem ensino superior, acima da média nacional de 22,6%. Apesar da recuperação no emprego, o setor é caracterizado por uma taxa de informalidade de 43,2%, superando a média de 40,9% em todos os setores.A participação da receita líquida do setor cultural em relação ao total das atividades diminuiu de 7,9% para 5,8% entre 2011 e 2021, atingindo R$ 740,8 bilhões em 2021. Enquanto os gastos públicos em cultura aumentaram 73,1% entre 2012 e 2022, alcançando R$ 13,6 bilhões, o setor perdeu participação nas despesas públicas em todas as esferas de governo.
Apesar desses desafios, a pesquisa destaca oportunidades, como o perfil mais qualificado dos trabalhadores no setor cultural, com 47,2% de mulheres e concentração no Sudeste (53,7%). A desigualdade regional no acesso à cultura é evidente, com apenas 30% dos municípios tendo museus, 23,3% com teatros ou casas de espetáculos e apenas 9% com cinemas. A falta de equipamentos culturais é mais pronunciada nas regiões Norte e Nordeste.
Diante desse cenário, o setor cultural brasileiro enfrenta a dualidade de recuperação e desafios, destacando a necessidade de políticas públicas e investimentos para fortalecer a cultura e garantir acesso equitativo em todo o país.
Alta taxa de informalidade
A pesquisa traz ainda uma comparação do perfil de quem trabalha no setor cultural com a média dos demais setores da economia. Uma primeira característica que se destaca é a maior informalidade. A chamada taxa de informalidade – que mostra o percentual dos informais frente ao total de ocupados – era de 43,2% no setor cultural e de 40,9% na média. No setor cultural, os trabalhadores por conta própria eram 42,1% dos ocupadas, ante 26,1% na média dos setores.
Setor mais qualificado
É um setor também mais qualificado: 30,6% dos trabalhadores têm ensino superior completo, ante 22,6% na média dos setores. A proporção de mulheres também é maior na cultura: 47,2%, ante 42,8% na média. Ao mesmo tempo, é um setor com menor participação de pessoas pretas ou pardas, que representam 43,9% dos ocupados, ante 54,2% no mercado como um todo.



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