quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Cultura, a grife do Brasil : Porque um gestor no Ministério da Cultura


Num Brasil de tantas opiniões, certamente somos unanimes em pensar que a Cultura Brasileira, em seus matizes, sons, danças e tradições, nas vozes, nos corpos e na poesia de nossos artistas é a nossa maior grife, aqui e ao redor do mundo. Algo além da nossa própria representação. Nossa alma.

Nos últimos dias, vaza a informação, vinda da transição de governo, da possibilidade, segundo alguns, quase certa, da indicação de um artista para o Ministério da Cultura. A escolha, teria sido motivada, além de atender a ocupação de espaços para política de gêneros, a necessidade de uma GRIFFE nacional (artista) no cargo e em se tratando de Ministério da Cultura, porque não trazer a própria prata, pra brilhar em sua própria casa?!

O maior problema é que essa “casa”, no caso o ex Ministério da Cultura é terra arrasada desde 2017. Seu desmonte vem sendo continuo nos últimos 4 anos e sua retomada, promessa de campanha de Lula, requererá de seu titular, muita experiencia para fazer ressurgir uma máquina com graves perdas na sua regulamentação e gestão. Quem vier pro MinC, necessitará reativar o Sistema Nacional de Cultura, até porque cerca de 8 bilhões de reais oriundos das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc só poderão ser devidamente executadas em sua magnitude, com a ativação do Sistema. Será necessário dialogo continuo com o parlamento pra retomada de sua legislação e de seus marcos regulatórios, desfeitos, promulgados, destruídos. Precisará entender de orçamento e gestão, para o diálogo com os órgãos de orçamento, planejamento e controle da União. Precisamos, enfim, de profissional da gestão da cultura, com qualificação adequada para o enfretamento e recuperação de uma instituição nacional destruída, ter a chance de se reerguer, no menor prazo possível. A afirmação de que bem assessorado o titular funcionará, é faca de 2 gumes, sobretudo se entendermos que o poder de decisão é intransferível e será favorecido pela experiencia que gestor carrega.

A questão é impactante e começa com o desconforto da  própria Comunidade Cultural, que se vê diante da situação de ter que “desqualificar” para o cargo, seus próprios ícones, donos de carreiras exitosas, muitos protagonistas de vidas exemplares e do afeto de milhões de fãns.

Nesse interim, acompanhamos a transição de governo da Cultura, com a presença marcante do ex Ministro Juca Ferreira e nos surpreendemos, quando acordamos com outros nomes e não o de Juca para ocupar a casa da Comunidade Cultural do Brasil.  A gestão de Juca Ferreira no MinC é divisor de águas na gestão da Cultura no Brasil. Trazido pela mão de um artista pensador, ex Ministro Gilberto Gil, Juca Ferreira foi o grande executor de uma política nova, aberta, criativa e descentralizada para todo o país. Pela primeira vez o Brasil teve uma política cultural clara, com acesso a bens e recursos de governo para Cultura. Comprometida em fazer chegar dinheiro na chamada “ponta” (aqueles que realmente precisam de recursos), a gestão de Juca Ferreira, inspirou os 27 Estados brasileiros que passaram a adotar politicas semelhantes.

O Brasil tem presa e o setor cultural com seus milhares de trabalhadores e suas famílias não podem mais esperar. Não temos tempo para experimentalismos. Somos a grife que clama por cuidados e que ao fazê-lo protege nossas próprias grifes. O palco e o gabinete de gestão são legalmente incompatíveis.

Queremos Juca Ferreira como Ministro da Cultura do Brasil, sim. A Comunidade Cultural vem se manifestando a esse respeito pelas redes em todo o Brasil, somos aliados do governo Lula, somos aqueles que o acompanhou por todo o Brasil. Também é nosso papel manifestar nossas preocupações e apresentarmos nossas escolhas.

Viva a Cultura Brasileira!


*Texto oriundo do movimento favorável a Juca Ferreira 

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