sexta-feira, 29 de abril de 2022

Parceria com a SECULT - Batuques, histórias, aprendizado e muita música nas oficinas de tambores

 


Na última sexta-feira, 22, a Orquestra de Tambores de Alagoas deu início a “Oficina de Atabaques - Ritmos Bantu. Para abraçar outros ritmos brasileiros, a orquestra vai promover em parceria com a Diretoria de Teatro do Estado de Alagoas, Diteal, a Oficina de Ritmos de Samba. A ação visa repassar técnicas do ritmo do samba, na prática, para alunos iniciantes e intermediários. A primeira aula será já neste sábado, 30, a partir das 18h, na Sala de Música do Complexo Cultural Teatro Deodoro, Centro de Maceió. 

“O samba é um ritmo totalmente popular e as pessoas gostam já de cara. Na primeira edição, conseguimos uma adesão muito boa. A oficina é para iniciantes e intermediários, que já tocam algum instrumento e afins, mas em sua grande maioria iniciantes. Por isso, é aberto para que as pessoas participem. Vai ser um processo bem didático, com aprendizado na prática e muita paciência”, explica Wilson Santos, que é quem irá ministrar as aulas. 

Nas aulas, serão apresentados vários instrumentos em sistema de rodízio, onde todos os inscritos terão a possibilidade de conhecer e aprender um pouco de cada um. Não é necessário ter os instrumentos, a oficina oferecerá toda a estrutura. Caso queira, o aluno pode levar seu próprio instrumento. Alguns dos materiais que serão apresentados são: Tamborim, agogô, caixa, repique, surdo, ganzá.

“Com base no sucesso obtido na Oficina de Samba que aconteceu antes da pandemia, com o apoio da Diteal, e que resultou na criação do Grupo Percussivo D’zaya, nós resolvemos retomar com esse projeto com a esperança de proporcionar um espaço de estudo coletivo desse gênero rítmico que é um dos maiores símbolos da identidade cultural brasileira”, afirma Wilson Santos.

Para participar, o aluno terá que fazer um investimento de R$100,00, que servirá para todas as quatro aulas da oficina.

OFICINA DE ATABAQUES - RITMOS BANTU

E mantendo o ritmo, animação e aprendizado. Nesta sexta-feira, 29, foi realizada a segunda aula da Oficina de Tambores - Ritmos Bantu, também uma parceria da Orquestra de Tambores de Alagoas e a Diteal. A oficina está sendo comandada pelo percussionista, educador musical e social, Wilson Santos. Os alunos terão acesso aos instrumentos e também à história da formação musical brasileira.

Os interessados podem fazer as aulas de forma gratuita. Isso mesmo, antes era necessário um investimento de R$140,00. No entanto, devido a uma parceria com a Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, Secult, agora a oficina terá entrada franca. 

A segunda aula será nesta sexta-feira, a partir das 18h, na Sala de Música do Complexo Cultural Teatro Deodoro, no Centro de Maceió. E para quem estiver achando que não pode fazer porque perdeu o primeiro dia, não precisa se preocupar, porque o conteúdo será revisado. 

Serviço 1:

Oficina de Atabaques - Ritmus Bantu

Onde: Complexo Cultural Teatro Deodoro

Quando: 29 de abril, 06, 21 e 20 de maio

Horário: das 18 às 19h

Gratuito


Serviço 2:

Oficina de Ritmos de Samba

Onde: Complexo Cultural Teatro Deodoro

Quando: 30 de abril, 07, 21 e 28 de maio

Horário: das 18 às 19h

Investimento: R$ 100,00


Texto de Paulo Canuto

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Edital para Festival de Música Popular Em Cantos de Alagoas 2022 está com inscrições abertas


O Festival de Música Popular Alagoana Em Cantos de Alagoas, promovido pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura, chega a sua quinta edição e promete agitar o cenário musical no mês de julho. O edital para seleção foi lançado no último dia 13, no Diário Oficial do Estado. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 31 de maio.

O evento tem como objetivo incentivar os artistas locais em suas produções, dando visibilidade àqueles que fortalecem a cultura musical alagoana, levando o melhor dela num evento feito especialmente para a população de nosso estado. Para a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas, o edital é uma oportunidade de descobrir e conhecer talentos da nossa terra. “O Em Cantos busca valorizar os artistas locais, promovendo um intercâmbio artístico-cultural e oferecendo ao público um evento de nível e qualidade musical”, destaca.

Pela primeira vez, o Festival passará pelo interior, com a fase eliminatória em quatro regiões alagoanas (Metropolitana, Agreste, Baixo São Francisco e Alto Sertão), ficando definidas as cidades de Piranhas, Piaçabuçu, Arapiraca e Barra de Santo Antônio. A final acontecerá na capital, Maceió.    

Podem participar pessoas naturais, residentes há, no mínimo, dois anos no Estado, grupos artísticos e menores de idade mediante apresentação de autorização dos responsáveis. As músicas apresentadas devem ser inéditas e originais, de qualquer gênero, ritmo ou estilo, obrigatoriamente em língua portuguesa ou em dialeto brasileiro. Cada proponente só poderá inscrever uma música.

Ao todo, serão investidos R$ 35.100 em prêmios aos ganhadores. O júri decidirá os cinco primeiros lugares, que serão premiados com as quantias de R$ 10.000, R$ 8.000, R$ 6.000, R$ 4.000 e R$ 2.000, respectivamente. Já o público poderá votar nas categorias Melhor Música, Melhor interprete, Melhor Letra e Melhor Arranjo. A votação popular acontecerá através do cuca.al.gov.br.

O edital e todos os documentos necessários estão disponíveis no endereço https://bit.ly/EmCantosDeAlagoas2022. As inscrições podem ser feitas presencialmente, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 14h, no Setor de Protocolo da Secult; de forma virtual, através da plataforma cuca.al.gov.br; ou ainda pelos Correios, pelo SEDEX com Aviso de Recebimento – AR (sendo considerada a data da postagem).

Texto:  Camylla Thomasya

Últimos dias de inscrição para edital de registro de novos mestres do Patrimônio Vivo



O prazo para inscrições do edital de Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas, promovido pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), chega aos seus últimos dias. O certame preencherá duas vagas destinadas para representantes da cultura popular do Estado. As inscrições podem ser feitas até o dia 4 de maio.

O edital reconhecerá como Patrimônio Vivo do Estado da Alagoas mestre e mestras que detenham os conhecimentos ou as técnicas necessárias para a produção e para a preservação de aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade estabelecida em Alagoas nas áreas de danças e folguedos da cultura popular, literatura oral e/ou escrita, gastronomia, música, artes cênicas, artesanato, dentre outras.

"O Registro do Patrimônio Vivo dá o devido reconhecimento aos mestres e mestras que tem como projeto de vida a transmissão de conhecimentos e costumes para as novas gerações”, disse a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas.

Será considerado apto a receber o registro de Patrimônio Vivo brasileiro residente em Alagoas há 20 anos, que tenha participação comprovada em atividades culturais no mesmo período e esteja capacitado a transmitir seus conhecimentos ou suas técnicas à sociedade, de forma presencial ou por intermédio dos mais diversos meios de comunicação.

Uma comissão especial, composta por pessoas de notório saber e reputação ilibada na área cultural específica, irá analisar e avaliar os candidatos, segundo os critérios definidos no edital.

Os candidatos devem se inscrever através de um formulário padrão disponível no portal da Secult e entregá-lo devidamente preenchido no setor de Protocolo da Secult, de segunda a sexta, das 09h às 14h, ou enviar pelos Correios, por A.R. ou Sedex. O edital completo e documentos necessários estão disponibilizados no endereço eletrônico www.cultura.al.gov.br.

A dotação orçamentária vigente faz parte do Programa de Concessão de Bolsas para Mestres da Cultura, dentro do orçamento do Fundo de Desenvolvimento de Ações Culturais de Alagoas.


Secult - Texto de Daniel Borges

sexta-feira, 22 de abril de 2022

A rabeca agora chora, sem Nelson... A lição de simplicidade do povo humilde de Alagoas



Chora, rabeca...hoje (22/04) todos nós,  amantes da cultura choramos a perda deste grande representante da cultura popular, da cultura raiz e um ser humano iluminado, com um sorriso marcante e conquistador, pois como uma criança sorria puramente.

                                         
Meu primeiro encontro com Nelson da Rabeca

O conheci em 1994, quando cursava o primeiro ano do curso de Jornalismo, e com meus amigos Alexon Dourado e Marcos Tchôla Rodrigues fazíamos passeios de bicicleta. Num sábado desses, fomos à Marechal Deodoro por influência de Alexon, que iria encomendar um instrumento musical a um artesão. O bairro era bem afastado, Taperaguá, mas no meio do caminho encontramos com o tal artesão: Nelson da Rabeca, que nos encontrou com aquele sorriso arrebatador. Nos encantamos com ele, eu e Marcos, pois Alexon já o conhecia. Nessa época,  Seu Nelson ia todos os dias à Praia do Francês, caminhando, para vender suas rabecas. Saía com ao menos duas e sempre as vendia.

Nessa época, um turista com chapéu de cowbói o encontrou no Francês e se encantou com Nelson e em seguida o chamou para ir trabalhar com ele em Santa Catarina, onde esse turista tinha um empreendimento. Nelson da Rabeca topou e no dia em que ia viajar, Dona Benedita, sua esposa, adoeceu e Nelson desistiu da viagem. O Cowbói??? Era Beto Carrero. O empreendimento? Beto Carrero World.

Seu Nelson era um iluminado e com muitos amigos. Alguns anos depois deste nosso encontro, ele estava fazendo um serviço em casa e ao levantar um saco de cimento deslocou a coluna e ficou acamado por meses. Daí surgiu o movimento "Amigos do Nelson" uma série de ações para ajudar na arrecadação de dinheiro para ajudá-lo, uma das coisas mais lindas que aconteceram em nossa história. Foram centenas de amigos que se juntaram, realizando shows, bazares, encontros... tudo para ajudá-lo.

Em seguida, alguns destes amigos, como Catarina Labouré e o Sesc Alagoas, o inscreveram no projeto Sonora Brasil, do Sesc Brasil, que selecionava artistas em várias partes do país, para viajar o Brasil tocando por cachês justos, e destes cachês, seu Nelson juntou dinheiro e comprou sua casa, no bairro da Poeira, mais próximo do Centro Histórico de Marechal Deodoro, onde ele montou sua oficina e morava com sua esposa e parceira Dona Benedita, e onde fazia questão de receber os amigos. Nessa época, o amigo José Reges era quem o produzia e cuidava.

Nelson participou duas vezes do Sonora Brasil, que foi quem deu uma projeção nacional e internacional ao mestre.

 

Nelson da Rabeca viajou o mundo, encantou Gilberto Gil e a tantos outros artistas como Hermeto Pascoal, Mestre Salustiano, dentre outros.

Em 2003 gravei e lancei um CD chamado "Música Popular Alagoana", com Nelson da Rabeca, Tororó do Rojão e Mestre Verdelinho, além do meu amigo-cumpadre Jurandir Bozo. Lembro que no dia da gravação das músicas com Tororó do Rojão, também gravamos com Seu Nelson da Rabeca, que ao chegar no estúdio (Looping Estúdio) do meu amigo Dácio Messias, Nelson foi para o aquário onde Tororó já ia gravar a voz, e lá ficou, admirado, admirando e achando graça daquelas loucuras que Tororó fazia, mesmo no estúdio. Tororó percebeu o encanto de Nelson e, com o coração de ouro que também tinha, cantava e ficava brincando com Nelson da Rabeca. Foi um encontro incrível e emocionante.

Liguei para Nelson, como sempre fazia todos os anos, no último dia 12 de março,  para felicitá-lo pela passagem de mais um aniversário. Não pude falar com ele, pois ele estava com o aparelho de audição com defeito, mas falei com Dona Benedita que transmitiu a ele meus abraços, ouvi apenas o sorriso dele dizendo: "É o Keyler!??" E sorriu...

 

Em 2004, o Governo do Estado de Alagoas, na época de Ronaldo Lessa, tinha um programa de divulgação do Estado, Brasil afora, chamado Alagoas de Corpo e Alma, e em uma de suas edições (a maior, na verdade) fomos ao Rio de Janeiro. Patrícia Mourão era a Secretária de Articulação Nacional, responsável pelo projeto, e  Edberto Ticianeli era o Secretário de Estado da Cultura, uma das ações do projeto foi o show, no Canecão, Alagoas de Corpo e Alma, em que levamos (eu trabalhava com Patrícia na época) dezenas de artistas de Alagoas para o Rio, como Máclein, Baigon, Junior Almeida, Eliezer Setton, entre outros, que lá se juntaram a Escola de Samba da Mangueira, Dona Odete Lara, Toni Garrido, Fagner, Hermeto Pascoal... o show contava com artistas locais e nacionais, que de alguma forma tinham um laço com Alagoas. Nelson da Rabeca faria uma breve participação de cerca de 2 minutos e em seguida, a atriz Zezé Mota, entraria no palco e o conduziria para os bastidores. Só que Zezé se distraiu nos bastidores e não percebeu que Nelson havia terminado sua apresentação. As pessoas o aplaudiram e ele ficou lá, no palco em pé... como ninguém apareceu para tirá-lo, ele ergueu a rabeca numa mão e o arco, na outra, como num show de rock. O Canecão quase veio abaixo com tantos aplausos!!!

Em 2004 e 2005 gravamos com ele o documentário Rabequiê, com minha amiga Fernanda Reznik. Fomos até Caruaru (PE) gravar com ele, além de diversas cidades de nosso Estado. Foi nessas viagens que tivemos o prazer de ver seu encontro com o Velho Chico, Rio São Francisco, na cidade de Penedo (AL). Ficou emocionado e com muito respeito pela grandiosidade do rio.

Nelson da Rabeca era um amigo querido, sempre feliz em nos receber. Fará muita falta.
Dona Benedita, força!!!

Nelson da Rabeca fez parte de uma geração brilhante de mestres que contou com: Mestre Venâncio, Verdelinho, Tororó do Rojão, Juvenal Leonardo, Dona Hilda, Mestra Virgínia, Mestra Maria do Carmo, Mestre Ovídio, Mestre Isaldino, Mestre Zé Cícero, do Pife, dentre outros. Destes todos, só não convivi com Mestra Virgínia.

Seu Nelson, obrigado por tudo!!!

Keyler Simões 
Jornalista e Produtor Cultural 
Amigo orgulhoso de Nelson


 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Guia Ensaio -  22 anos cadastrando a cultura e serviços de Alagoas


O Ensaio - Guia das Artes e Empreendedores da Cultura de Alagoas  foi criado no ano de 2000, lançado em 12 de abril, pelo jornalista e produtor cultural Keyler Simões, com o intuito de disponibilizar um levantamento das pessoas, entidades, instituições e empresas que trabalham com cultura direta ou indiretamente, em Alagoas.



Entre os Mestres Nelson da Rabeca 
e Tororó do Rojão 

São mais de seis mil contatos, já cadastrados, não só em Alagoas, como em várias partes do Brasil e do mundo, pois há alagoanos trabalhando e desenvolvendo a nossa cultura em mais lugares do que podemos imaginar.

​​

O trabalho de cadastramento continua inteiramente gratuito, não se cobrando nada para as pessoas, empresas e instituições se cadastrarem e nem pelo seu acesso, disponível aqui em nosso site.

O cadastro e atualização de dados são espontâneos e podem ser feito pela internet pelo site.

As categorias cadastradas são:​


1.Arquivos, Patrimônio Material, Imaterial e Museus


2.Artesanato, Moda e Design


3.Artes Cênicas


4.Artes Visuais, Arte digital e Fotografia


5.Audiovisual


6.Cultura Afro-Brasileira


7.Culturas Populares


8. Instituições


9.Literatura, Livro e Leitura


10.Música


11.Prestadores de Serviços e Comércio


12.Produtores Culturais


Podem se cadastrar órgãos públicos que lidem de alguma forma com cultura, Pontos de Cultura, ONGs, institutos, escritores, atores, atrizes, músicos, cantores, cantoras, produtores de eventos, produtores culturais, produtoras de vídeo, empresas de aluguel de som, iluminação, palco, segurança para eventos, assessorias de comunicação, consultorias, artesãos, pintores, fotógrafos, webdesigners, designers gráficos, gráficas etc.


Contato e cadastro pelo WhatsApp: (82) 99971-4281.

terça-feira, 5 de abril de 2022

 Intolerância e a hora da mudança

A meliante: Belinha

Viver em apartamento nunca é fácil, pois as pessoas ocupam espaços comuns, muitas vezes com outras com as mais diferentes formações, e formas de ver a vida, mas a intolerância que vem sobressaindo no Brasil de uns anos para cá, dificulta e muito a convivência, mesmo porquê, em casos assim, os opostos se afastam.

Moro num apartamento alugado há 15 anos, e vi e vivi diversas situações, das mais engraçadas às mais asquerosas, como briga de casal, de família, barulhos dos vizinhos, crianças educadas e crianças nem tanto. Particularmente, sempre relevei essas pequenas coisas, como barulhos. Apenas uma vez, no início de meu contrato neste condomínio, devido aos altos barulhos ocorridos tarde da noite, é que fiz uma reclamação por escrito ao síndico,  pois eram barulhos, vindos do apartamento do andar de cima  que me assustavam em horários de sono, bem depois das 22h.

Mas mesmo neste caso, quando a moradora foi notificada da reclamação, ela veio falar comigo, pedindo desculpas, educadamente, e me explicou que, não lembro ao certo, mas parece que ela trabalhava durante o dia, em turnos variados, e quando chegava, era muito tarde, e o cachorro dela se agitava quando ela chegava em casa. Resultado: nos demos muito bem, ficamos amigos. Os barulhos continuaram, mas aí eu já sabia a causa e me coloquei no lugar dela. Trabalhadora que criava um(a) cãozinho ou cadelinha que sentia saudades de sua tutora. Pena que ela teve que mudar de cidade, e nesse meio tempo descobri que ela era irmã de uma colega minha de trabalho. Mas a tolerância e empatia deram o tom de nossa relação.

Nunca fui de ficar reclamando de vizinho. Pois cada um tem seus problemas e se não nos colocarmos no lugar do outro, iremos brigar com todo mundo e aumentar as chances de infarto.

Hoje vivo sob a clava da intolerância por causa da família felina que criamos.




Durante a pandemia, meados de julho de 2020, fomos visitados por uma gatinha simpática, mas mal tratada, que estava com fome, e além disso, estava na rua com um casal de filhotes desconfiados. Minha irmã se encantou logo por eles, e eu dei meu braço a torcer em seguida, pois tivemos outros amiguinhos assim, como gatos e cães e tivemos que nos separar por motivos dos mais diversos e eu estava ressabiado e relutante em me deixar envolver, tanto que no início,  eles só vinham comer e saíam. Depois eles ficavam só na varanda, mas depois  nos apaixonamos pela família toda batizando-os como Gerusa, a mãe; e Belinha e Juninho, os filhotes.

Eles então também nos adotaram. Castramos, medicamos e alimentamos essas crianças de 4 patinhas. Estão lindos.

Mas esses gatinhos já eram criados na rua, antes de virem viver conosco, e ficam muito tempo fora do apartamento, e como moramos no térreo eles saem e voltam quando querem.

Várias vezes chegaram em casa trazendo presentes como: baratas, ratinhos, lagartixas e até um pombo, certa vez. Esses são atos de bondade e confiança dos gatos para conosco, que claro nos trouxeram pequenos sustos e aborrecimentos, mas sempre fomos compreensivos e tolerantes com as "crianças".

Os três passam a maior parte da noite e de madrugada, do lado de fora do apartamento, nas áreas comuns, como o estacionamento e o jardim.

Em algumas destas saídas, claro, os gatinhos chegam a deitar sobre um carro ou outro, neste caso sempre os repreendemos, mas como fazer isso claramente com 3 gatos? Difícil,  mas tentamos. 

Há algumas semanas recebemos reclamações do síndico e de uma moradora, pois a Belinha, uma das gatas, foi filmada roendo uma capa protetora de um dos carros. Prontamente mandei uma mensagem por WhatsApp ao Síndico pedindo que me informasse os danos provocados para que eu assumisse os custos. Nunca me respondeu. Hoje, uma moradora me abordou, educadamente falando deste caso e eu concordei com ela sobre o problema e reafirmei que pedi os custos, mas que não me enviaram. Ela disse: "Eu sei, mas a questão é que pela convenção do condomínio, não permite a circulação de animais nas áreas comuns, e hoje teremos reunião do condomínio..." Eu disse que imaginava o que dizia tal convenção, mas que eu nunca a recebi, mas que tudo bem, pois a maioria fala a mesma coisa.

A questão é a falta de empatia e intolerância. E se eu começar a reclamar dos barulhos dos vizinhos? Dos barulhos das crianças e adolescentes? E dos amassos ou riscos na porta do meu carro? A vida se tornaria um inferno.

Bem sei que pelo perfil de quem mora aqui, terei que deixar os gatos presos e só deixá-los sair com coleiras.

Tudo bem, por enquanto. Pois os gatos já entraram para a família e se o condomínio tem restrições sobre um membro dela, tem sobre mim também. Ou seja, brevemente nos mudaremos, com certeza, afinal de contas os incomodados que se mudem, literalmente, pois não podemos viver num lugar com tanta hipocrisia e intolerância.