quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Em prol da Cultura


A discussão acerca do que é melhor para o Brasil passa por diversos setores, como saúde, educação, economia, trabalho, renda etc... e a Cultura, como outras áreas, dependem de seus desempenhos. Se a Economia vai bem, a Saúde, a Educação, o Emprego também tendem a se desenvolver, preparando, como um colchão, o terreno para o desenvolvimento da área cultural. Ou seja, temos que ter um país equilibrado para que segmentos como a Cultura e o Turismo se desenvolvam, gerem oportunidades, programas estruturantes e empregos. Daí da minha total tristeza e incompreensão de ver pessoas que trabalham na área cultural, como artistas, técnicos, produtores, dentre outros, apoiarem o caos que o Governo Bolsonaro instituiu no país. Não há programas de governo, investimentos em nada, geração de emprego e nem tampouco investimentos na saúde mental da população. Me refiro ao bem-estar. 

As pessoas vivem tensas, preocupadas, e se alienando, sem que se aja contra os desmandos e o desmonte do país. Na área da Cultura o desmonte é estúpido. Não temos mais Ministério, e instituições como FUNARTE, IPHAN, Fundação Palmares, Pontos de Cultura estão desestruturadas. 

Dito isso, é inconcebível que agentes e profissionais do setor cultural assistam a tudo isso inertes, e pior, agindo como cúmplices do discurso de um governo facista e incompetente, inclusive com discursos de desdenho com tudo que foi feito, por exemplo, nos Governos Lula e Dilma. É como dar um tiro no próprio pé com arma de alto calibre. É estupidez!

Quando Lula assumiu, chamou Gilberto Gil para a pasta da Cultura. Muitos até pensaram que seria o caso de mais uma peça de enfeite, como ocorria anteriormente, mas Gil e Juca revolucionaram o trato com a Cultura no país, derrubando barreiras, ampliando fronteiras e democratizando o acesso aos recursos públicos federais. Gil adotou uma política de abrangência onde os próprios agentes culturais seriam os personagens principais, mas também os proponentes de uma política cultural de fato onde toda a sociedade brasileira seria beneficiada com independência, flexibilidade e democracia. 

A institucionalização do ministério se consolidou com sua atuação cada vez mais nacional, por meio de inúmeros projetos, com destaque para os Pontos de Cultura, que já foram mais de 500 em todo o país. A descentralização das atividades do ministério ocorreu também da reforma administrativa realizada logo no início da gestão, que buscou superar as áreas carentes e dar maior operacionalidade ao ministério e seus órgãos. A realização do “primeiro concurso público da história do ministério” desde que ele foi criado, há mais de 20 anos (MINISTÉRIO DA CULTURA, 2006, 18), sem dúvida, trouxeram perspectivas positivas para o fortalecimento institucional do ministério, por meio da incorporação de novos servidores, além da sinalização indicando uma atenção com a cultura. 

Com isso, fica claro que foi na primeira década do terceiro milênio que a Cultura brasileira mais se desenvolveu, com governos de esquerda com uma visão humanista, mas sem perder o mercado de vista. Se você que trabalha, vive ou sobrevive, da cultura pense realmente o que é melhor para nosso segmento. Para a Cultura estar bem, o país tem que estar ótimo, sem atropelos, sobressaltos e estável economicamente. Deixemos os escândalos e atitudes maléficas, apenas para as representações artísticas no palco. O Brasil merece mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário