Como amigo de vários mestres e mestras da cultura popular é normal ouvirmos desabafos e reclamações de como são maltratados vez ou outra por A ou B, mas desta vez, me vi obrigado a repudiar a falta de respeito e consideração por parte da Fundação Municipal de Ação Cultural e da Prefeitura de Maceió.
Pastoril da Mocidade, de Mestra Edleuza
Na tarde do último sábado (18), a FMAC realizou o Cortejo de Natal, que reuniu dezenas de grupos de cultura popular, pela orla de nossa capital, com exceção de 03 grupos, que mesmo selecionados e contratados, foram deixados, abandonados em suas sedes, sem que o transporte providenciado pela FMAC, fosse buscá-los. "Ficamos, todos trajados... todos prontos desde às 13h, pois o transporte iria nos pegar às 14h... e mesmo após informarmos do atraso, ninguém apareceu... esperamos até às 17h, com as crianças na expectativa. Fomos, inclusive, para a pista, para facilitar para o ônibus, mas ele não apareceu", explicou a Mestra Vânia Rocha, do Pastoril.
Os grupos desrespeitados foram o grupo Bailado Pastoril dos Insetos, de Mestra Vânia Rocha, do bairro da Guaxuma; o Pastoril da Mocidade, de Mestra Edleuza, do bairro de Cruz das Almas; e o Guerreiro Mensageiros de Padre Cicero, de Mestre André, do bairro Santos Dumont. Todos os grupos que mesclam a terceira idade com as crianças, e todos ficaram frustrados.
Os mestres disseram que a única coisa que a pessoa da FMAC, responsável pelo contato com os grupos, dizia era que: "Não se preocupem que o cachê será pago mesmo assim", uma mostra da insensibilidade desta gestão para com os mestres, que não apresentam sua arte por dinheiro, não. Eles defendem nossa cultura por amor e compromisso. O cachê, mesmo que pouco, é um direito deles e uma motivação a mais, como a qualquer outro grupo ou artista que se apresenta.
Falhas, erros e problemas acontecem. É normal numa produção deste porte. A questão é como a organização se porta diante destes mesmos problemas. Esperamos mais respeito e consideração desta gestão da FMAC e da Prefeitura de Maceió conosco, que além de brincantes, fazedores, artistas e produtores culturais, somos contribuintes e eleitores.
Respeito e consideração é o mínimo. Se as pessoas não as tem em nível pessoal, mas pelo menos deveriam fazer um esforço, na relação profissional, ainda mais com representantes e fiéis depositários dos saberes populares.
Fica aqui nossa indignação.
Keyler Simões
Jornalista, Produtor Cultural, amigo e parceiro da Cultura Popular